12/09/2010

Os Personagens



Os Personagens
Seu nome era Jack, a sua vida começou quando fez vinte anos, embora isso pareça estranho, ele não se lembrava de quando tinha menos do que essa idade, para ser franco, toda a sua vida era estranha, quando sua vida iniciou às vezes ao seu lado ou à sua frente via palavras e nomes, um dia conseguiu ler uma dessas palavras:
Directed by:
Carl Simpson
No começo de sua vida apareciam muitas palavras dessas, mas aos poucos elas foram acabando, além disso, a sua vida parecia ter uma trilha sonora, a cada situação que vivia sempre ouvia uma música diferente que mexia com seu coração, muitas vezes quando estava só, ouvia sussurros e nalguns momentos cômicos de sua vida ouvia gargalhadas.
Jack se lembrava muito bem do momento em que começou a existir, recordava se de que estava numa vila interiorana, o lugar lembrava um deserto, ventava, mas fazia calor, e naquele momento ele abraçava uma garota de uns dezesseis anos, que se chamava Julie, embora ele nunca a tivesse visto, todavia sabia que a amava. Ela era branca, com um lindo cabelo louro encaracolado e belíssimos olhos azuis, vestia um vestido branco, de saias rodadas, como aqueles antigos, que nossas avós usavam. Ele era um cowboy e ela uma jovem dama, nunca tinham se encontrado antes, mas inexplicavelmente se amavam, parecia que existiam em função do amor que sentiam um pelo outro, e naquele momento faziam juras de amor, atrás de um galpão, bem escondidos, pois seus pais eram inimigos mortais e aquele amor jamais deveria existir.
A cautela não foi suficiente para esconder aquilo que transbordava no coração, o pai de Jack descobrira a paixão do filho e o fez partir daquele lugar. Jurou fidelidade ao seu amor e prometeu voltar para buscá-la e viverem felizes num lugar que ele iria procurar, e que seria o paraíso daqueles jovens apaixonados.
Alguns minutos depois da despedida e com o coração apertado, Jack se viu cavalgando um belo cavalo branco que galopava sobre a areia do deserto. Durante muitas semanas ele se viu nessa atividade, galopava durante todo o dia, à noite parava numa vila, dava água e comida ao cavalo, dormiam e na manhã seguinte voltavam ao logo e cansativo deserto, rumo a um lugar que ele não sabia onde ficava, mas que parecia já estar predeterminado por alguma força superior.
Muitos dias se passaram desde que Jack partira, e ele já estava muito longe de casa, já havia passado por dezenas de vilas e cidades, havia visto garotas tão lindas quanto a sua querida Julie, e não poucas quiseram roubar seu coração, mas não tinha se deixado seduzir por nenhuma delas, mantinha vivo no peito o amor com que amava aquela linda jovem que deixara além do mais extenso dos desertos e da mais distante das terras.
Por fim chegou ao lugar que ele viveria, não conhecia nenhuma daquelas ruas, e jamais vira uma só daquelas pessoas que ali moravam, mas sabia que viveria ali. Procurou lugar para se estabelecer, e depois de algumas tentativas frustradas encontrou um fazendeiro que precisava de um vaqueiro e empregou o jovem cowboy.
Embora só tivesse vinte anos, Jack tinha uma enorme determinação, o que não quer dizer que não tenha sofrido muito, sua vida parecia um drama, muitas e terríveis dificuldades, parecia até que as calamidades que enfrentava tinham sido escritas para satisfazer ao desejo sádico de algum espectador. Mas jamais se deixou vencer por nenhum obstáculo, quanto mais dificuldades apareciam, mais forte ele se tornava, e a cada combate vencido mais poderoso ele ficava. Depois de alguns longos anos, Jack já era um homem feito, era belo, forte e bem sucedido, tinha agora um pequeno sítio, que com muita garra preparou para receber aquela que ele amava.
Sítio pronto era hora de buscar sua amada, e ele partiu, galopou durante dias e noites pelas mesmas estradas poeirentas que o havia trazido para aquele lugar, até que finalmente divisou no horizonte a imagem da casa da sua bela donzela. A alegria galopava em seu peito, a felicidade corria em suas veias e o corcel só descansou quando teve a última cerca diante de si. Chegaram à casa de Julie, e era ela mesma quem estava à porta, Jack saltou do cavalo e também saltou a pequena cerca que o separava do seu amor, que o recebeu apavorada e chorosa, e lhe contou tudo o que se passara desde sua partida.
Julie não poderia se casar com ele, seus pais morreram depois que Jack partiu, deixando várias dívidas e fazendo com que ela tivesse sérios problemas financeiros, que só foram resolvidos depois que os credores tomaram a fazenda, que fora suficiente para pagar quase todas as dívidas, exceto uma, que era justamente a maior de todas, e que o credor implacável, queria receber, em dinheiro ou casando-se com a bela Julie.
Jack não podia acreditar no que estava vivendo, parecia que os céus estavam contra ele, mas não iria desistir assim tão fácil, pagaria o preço que fosse preciso para ter Julie definitivamente, a derrota não era uma opção. O jovem apaixonado lutou, desfez todas as armadilhas que o perverso rival colocou em seu caminho, e derrotou-o definitivamente num duelo. Pronto, Julie era apenas dele, e como um vencedor leva consigo o seu troféu, levaria sua amada para o seu recanto.
Encontraram se depois do duelo, Julie toda de branco e ele todo rasgado por causa da luta, jogaram-se um nos braços do outro, choraram todas as calamidades que sofreram e beijaram-se como vitoriosos que eram.
Naquele momento a trilha sonora de suas vidas fez-se ouvir mais alta, era uma música comovente, não entendiam o que estava acontecendo, mas resolveram partir, galopando pelo árido deserto, com o vestido branco de Julie sendo sacudido pelo forte vento...
Naquele instante os créditos subiram.

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