28/01/2013

Eu, lírico



Eu, lírico

Eu olho e não te vejo,
Busco e não te encontro.
Apalpo cada centímetro ao meu redor,
Mas só encontro a saudade,
Essa companheira ingrata.
Para onde foi?
Onde estás?
Lágrimas molham meu rosto,
Secam meu dolorido coração.
Me desabo, longe de seus braços;
Dentro de mim só tem você,
Tão perto, tão longe...
Porque fostes?
Porque partistes?
Levastes minha alma como bagagem,
Estou despojado,
Estou vazio...
Da alegria, da vida, do sonho,
Do sol que se põe no horizonte,
Do perfume das flores,
Da beleza no canto dos pássaros,
Do encanto da lua cheia,
Do brilho das estrelas,
E até da rima.
Vem, e me traga de volta,
Devolva-me a mim,
Como o sol da manhã,
Brilhe no meu horizonte,
Aurora da minha alma.
Traga seu calor,
Incendeia meu coração.
Inspire minha poesia.
Quero sorrir nosso sorriso,
O sorriso bobo dos apaixonados,
Que o peito enche de graça,
E que sai pelos olhos,
Derrama nos versos,
Falados ao pé do ouvido,
Que arrepiam os pelos,
Os olhos faíscam,
As mãos tremem,
Os céus abençoam.
E o vento que sopra,
O mesmo vento que soprou ontem.
O amor que não acaba,
Que me faz enxergar,
O retorno de quem nunca partiu,
Que sempre esteve aqui,
Escondida bem lá dentro,
De onde eu não posso
Não posso tocar,
Não posso...
Não quero tirar.
Tudo o que quero,
É o que já não tenho,
O que tenho,
É o que não quero.
Só me sobrou,
O que nunca se acabará,
Amor para colorir minha vida,
E desbotar as minhas cores.
Pra não me deixar esquecer,
Que vivo um lindo sonho,
De quem já acordou.
Que eu tenho a felicidade,
Aqui bem guardada,
Onde eu não posso alcançar.
Eu tenho a sublime ventura,
De quem já teve tudo,
Carrego o infortúnio,
Daquele que não tem nada.
Já fui grande, fui rei.
Tive a glória, a opulência,
Agora sou só eu,
Um desafortunado,
Com minha pena,
Sou um menestrel,
Cantando a poesia,
Transbordando de amores.

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