07/06/2014

O gigante acordou?

O gigante acordou?

          Criticar e protestar contra a Copa do Mundo 2014 que será realizada no Brasil é a "bola" da vez. Na verdade não é algo tão novo assim, isso tudo começou na Copa das Confederações de 2013, evento teste realizado pela FIFA  para testar a capacidade do país anfitrião da Copa do Mundo, o Brasil, há um ano atrás. Milhares de pessoas saíram às ruas para protestarem, inicialmente o protesto foi motivado pela elevação das tarifas de transporte coletivo em diversas capitais brasileiras, com a alta adesão de insatisfeitos e coincidentemente com a realização da Copa das Confederações, evento com altíssima cobertura da mídia internacional, os protestos ganharam cada vez mais volume e definitivamente chamaram a atenção dos meios de comunicação e conquistaram aprovação popular. Impulsionados pelas redes sociais sociais, milhares de cidadãos saíram às ruas para protestarem, num gesto só comparável às marchas exigindo eleições diretas no fim dos anos 70 e início da década de 80, e que culminou com a queda da ditadura militar.  
          Nenhum brasileiro com um mínimo de informação desconhece as mazelas sociais, a precariedade dos serviços públicos e os problemas políticos que assolam o Brasil, e todos sabem que os brasileiros não são nem de longe um dos povos que mais protestam contra aquilo que discordam. Um protesto contra os problemas crônicos brasileiros não são de forma alguma um mal, muito ao contrário, acredito que está mais do que na hora de deixarmos evidente nossa insatisfação com os rumos que nosso país tomou. Mas quando no auge dos protestos, alguns amigos me chamaram para participar numa dessas manifestações, embora fosse algo que eu gostaria muito de fazer em outros tempos e principalmente em outras circunstâncias, naquele momento eu rejeitei o convite, surpresos, pois todos sabiam e conheciam muito bem o meu discurso político, de como eu criticara alguns gastos com a realização da Copa, eles me questionaram se eu seria contra os protestos, minha resposta bem como meu posicionamento sobre o que eu acho dos protestos, esclarecerei nesse e nos próximos textos que postarei.
          Em 15 de março de 2013, alguns meses antes do início da onda de insatisfação com a Copa, eu postei um texto aqui nesse blog onde criticava os gastos com a realização desse evento. Embora tenha o direito de mudar de opinião, ainda acredito e reafirmo tudo aquilo que escrevi. Não reprovo e muito menos acho absurdo os investimentos privados que foram feitos para a realização do evento, afinal, sendo recursos privados podem ser investidos onde seus donos bem entender e na quantidade que acharem necessária. Também não acho errado os investimentos que o Governo Federal fez com dinheiro público na construção de estruturas esportivas e outras, bem como empréstimos para clubes de futebol conseguirem realizar suas contrapartidas como detentores de estádios em que serão realizados jogos oficiais da Copa. Quer as pessoas entendam ou não, e a maioria não entende, esses gastos vão de alguma forma melhorar e incrementar as estruturas esportivas brasileiras e não deixam de ser investimentos, sabemos que o Poder Público também tem o dever de investir no esporte e suas modalidades. O que é criticável não é a disposição do governo em investir nessas áreas, muito ao contrário, seria até elogiável, apesar de que mesmo com esses esforços muitos das melhorias previstas não ficarão prontas a tempo; mas sim a ausência dessa mesma disposição para investir em áreas e pastas mais importantes e vitais para o Brasil e os brasileiros. Não raro vemos ministros e políticos que representam o Governo virem a público dizerem que o Estado não tem verbas ou condições financeiras de aumentar os investimentos em áreas que são de extrema importância para a população e o país, como saúde, educação e segurança pública. Todos estamos cansados de saber que faltam hospitais ou estrutura hospitalar adequada na maioria das capitais e grandes cidades brasileiras, mas mesmo essa enorme necessidade em uma área tão fundamental como a saúde não comove o Governo a agir com a presteza, rapidez e generosidade como foram nos gastos e investimentos relacionados à Copa. Em nenhum momento o Governo admitiu a possibilidade de que faltariam investimentos ou que as obras consideradas vitais para a realização do evento esportivo não seriam feitas, mas o mesmo não acontece com os investimentos nos precários serviços públicos brasileiros. O Governo não faz mal ao investir na Copa, ele faz mal ao não investir também em áreas essenciais a milhares de cidadãos brasileiros.
          O leitor pode então estar se perguntando porque mesmo considerando a necessidade do protesto público para pressionar o Governo e os políticos a realizarem as mudanças que a sociedade brasileira necessita, e discordando da visão governamental sobre os investimentos públicos realizados na Copa, ainda assim eu não apoie totalmente os protestos que se iniciaram no país há um ano. Vou apresentar os principais pontos da minha "desconfiança" com relação ao protestos que estão acontecendo no Brasil nos próximos posts que farei ao longo das próximas semanas neste blog. Gostaria de convidar o leitor a acompanhar as postagens e participar com seu comentário, seja concordando ou discordando. Não fixarei um dia para fazer as postagens, uma vez que só escrevo nos meus tempos vagos e não disponho de muito desse tempo. Por isso peço ao leitor que sempre que puder, acesse e siga esse blog ou ainda me acompanhe nas redes sociais para ficar informado das postagens que complementarão esse texto. Até breve!                  


          

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