17/12/2011

O Que os Professores Realmente Querem Dizer aos Pais


O Que os Professores Realmente Querem Dizer aos Pais


O original deste texto foi publicado no site da CNN, é de autoria de Ron Clark, e a tradução foi feita pelo professor de História e diretor de escola Jorge Luiz da Silva Santos.
Neste verão, eu conheci uma diretora que foi recentemente indicada como gestora do ano em seu estado. Ela era amada e adorada por todos, mas ela me disse que estava deixando a profissão. Eu lhe disse: "Você não pode deixar-nos", e ela respondeu incisivamente: "Olha, se eu receber uma oferta para dirigir um sistema escolar de órfãos, darei tudo de mim, mas eu simplesmente não posso mais lidar com os pais, eles estão nos matando”. Infelizmente, esse sentimento parece estar prevalecendo cada vez mais. Hoje, novos professores permanecem na profissão em média apenas 4,5 anos, e muitos deles listam "problemas com os pais" como uma das razões para jogar a toalha. Isto está se espalhando, e quanto mais negativo o acolhimento dos pais aos professores, mais difícil se torna recrutar o que há de melhor e mais brilhante das faculdades. Então, o que podemos fazer para deter a maré? O que os professores realmente querem que os pais entendam?
Para começar, somos educadores, não babás. Somos profissionais formados que trabalham com crianças todos os dias e muitas vezes vemos o seu filho de maneira diferente da sua. Se lhe dermos conselhos, não lute contra eles. Tome-os com o mesmo acatamento que consideraria o conselho de um médico ou advogado. Já me acostumei com alguns pais que simplesmente não querem ouvir nada de negativo sobre o filho; às vezes, no entanto, se você está disposto a aceitar cordialmente o conselho de alerta precoce, isto pode ajudá-lo a solucionar um problema que poderia se tornar muito maior no futuro.
Confie em nós
Às vezes quando digo aos pais que o filho tem tido um problema de comportamento, quase posso ver os cabelos se eriçarem. Eles estão prontos para lutar e defender seus filhos: é cansativo. Um dos meus maiores probleminhas é quando eu conto para a mãe o que o filho fez ,e ela se vira, olha para ele e pergunta: "Isso é verdade?" Bem, é claro que é verdade. Acabei de lhe dizer. E por favor, não pergunte se um colega pode confirmar o que aconteceu ou se outro professor poderia estar presente. Isto só humilha professores e enfraquece a parceria entre professor e pai. E se você realmente quer ajudar seus filhos a serem bem sucedidos, pare de inventar desculpas para eles.
Eu estava conversando com um pai e seu filho sobre suas tarefas de leitura de verão. Ele me disse que não tinha começado; fiz-lhe saber que estava extremamente decepcionado, porque as aulas começariam em duas semanas. A mãe entrou na conversa e disse-me que tinha sido um verão horrível para eles, por causa de questões familiares que se estenderam até julho. Eu disse que sentia muito, mas não pude deixar de salientar que as tarefas foram dadas em maio. Ela rapidamente acrescentou que ela estava permitindo que o filho “se divertisse” durante o verão antes de voltar às aulas em julho, e que não era culpa dele se a tarefa estava incompleta.
 Você pode sentir minha dor?
 Alguns pais vão dar desculpas, independentemente da situação, e, portanto, criando filhos que vão se transformar em adultos que vão apelar para desculpas e não criar uma forte ética de trabalho. Se você não quer que seu filho, aos 25 anos, acabe desempregado, sentado no sofá comendo batatas fritas, então pare de inventar desculpas pelo insucesso deles. Ao invés disto, concentre-se em buscar soluções. Pais: parceria e não um processo na justiça...
 Os pais sabem que seus filhos se metem em encrencas, de vez em quando: isto forma o caráter e ensina lições de vida. Como professores, ficamos atormentados por aqueles pais que estão no caminho dessas lições: nós os chamamos de pais- helicópteros, porque querem realizar um voo rasante e salvar o filho toda vez que algo der errado. Se dermos a uma criança 79 em um projeto, então é isso que a criança merece. Não agende uma hora para se encontrar comigo e negociar um 80. É um 79, independentemente de se você acha que deveria ser um B +.
Este pode ser difícil de aceitar, mas você não deve presumir que, porque o seu filho anda tirando A, que ele está recebendo uma boa educação. A verdade é que muitas vezes são os maus professores que dão as melhores notas, porque eles sabem que, dando boas notas, todos vão deixá-los em paz. Os pais vão dizer: "Meu filho tem um grande professor! Ele tirou A o ano todo!”.
Vem cá... Honestamente: em geral são os melhores professores que estão dando notas mais baixas, porque eles estão criando expectativas. No entanto, quando seus filhos recebem notas baixas, você quer reclamar e ir até o gabinete do diretor. Por favor, dê um passo atrás e olhe bem a paisagem. Antes de contestar essas notas baixas que você acha que o professor “deu” a seu filho, talvez seja necessário dar- se conta que seu filho "ganhou" as notas, e que o professor de quem se queixa é, na verdade, o que está fornecendo a melhor educação. E por favor, parceria ao invés de processo...
 Tive uma criança que colou numa prova*, e seus pais ameaçaram chamar um advogado, porque eu estava rotulando-a de criminosa. Eu sei que parece loucura, mas diretores de todo o país me dizem que os advogados cada vez mais acompanham os pais nas reuniões escolares...
Professores pisando em ovos
Fico muito triste pelos gestores e professores nos dias de hoje, cujas mãos estão completamente amarradas. De muitas maneiras, nós vivemos com medo do que vai acontecer. Pisamos em ovos em um sistema educacional que está indo água abaixo, onde os professores não têm a coragem de serem honestos e falar o que pensam. Se eles cometem um pequeno erro, tal pode se tornar um grande desastre.
Minha mãe me disse que uma criança de uma escola local escreveu no rosto com um marcador permanente. A professora tentou tirá-lo com uma toalha, e deixou-lhe uma marca vermelha no rosto. O pai chamou a mídia, e a professora perdeu o emprego. Minha mãe, minha própria mãe, disse: "Como a mulher pôde fazer aquilo?”.
Senti como um soco no estômago. Sinceramente, eu tentaria tirar a marca do rosto do aluno. Pensar que poderíamos perder nossos empregos com algo tão pequeno é assustador. Por que alguém iria querer entrar na nossa profissão? Se os nossos professores continuam a sentir-se ameaçados e com medo, você vai privar nossas escolas dos nossos melhores e algemar os nossos esforços de recrutar educadores excelentes no futuro.
 Finalmente, lidar com situações negativas de uma maneira profissional. Se o seu filho falar de alguma coisa que aconteceu na sala de aula que lhe diga respeito, peça para se encontrar com o professor e aborde o assunto da seguinte forma:
“Gostaria que o Sr. soubesse do que meu filho falou sobre algo que aconteceu na sala de aula, porque eu sei que as crianças podem exagerar e que há sempre dois lados da história. Queria um esclarecimento de sua parte”.
Se não ficar satisfeito com o resultado, leve suas preocupações ao diretor, mas acima de tudo, nunca falar mal de uma professora na frente de seu filho. Se ele sabe que você não a respeita, ele fará o mesmo, o que levará a uma série de novos problemas. Sabemos que você ama seus filhos. Nós os amamos também. Nós só pedimos - e até imploramos - para confiar em nós, nos apoiar e trabalhar com o sistema, e não contra ele. Precisamos de sua cobertura, e precisamos de vocês para nos dar o respeito que merecemos. Coloque-nos pra cima e faça com que nos sintamos queridos, e vamos trabalhar ainda mais para dar ao seu filho a melhor educação possível.
Esta é a promessa de um professor, de mim para você.
*Na língua inglesa, “colar em prova”, a conotação é mais forte: to cheat (fraudar). “Cola”, portanto, é “fraude”. Daí o responsável achar que o filho estava sendo tachado de “criminoso”. (N.T.)

Gostaria de salientar que tomei conhecimento desse texto numa reportagem da revista Veja, primeiramente li-o no próprio site da CNN, e então resolvi traduzi-lo, quando já tinha iniciado o processo, me deparei com uma tradução no blog Esquizofrenético Blues, utilizei-a pois a versão ficou muito melhor do que a que eu estava fazendo, agradeço o professor Sandro Ataliba, e peço aos leitores que visitem o blog, clicando sobre o nome do mesmo.





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