25/10/2014

Sobre os que compram espelhos...

Oh glória! Amanhã é domingo e dia das eleições e graças a Deus não vou ter minha timeline inundada e "imundada" com tantas publicações de política e de políticos, ou pelo menos espero que assim seja.Observei durante essas últimas semanas centenas de pessoas do meu círculo de amizades se digladiaram nas redes sociais defendendo acaloradamente seus respectivos partidos e candidatos, vi muitas amizades desfeitas e incontáveis rachaduras de mágoas trincarem os relacionamentos entre colegas, amigos e até familiares.A primeira eleição que tenho memória foi a que elegeu Fernando Collor e na minha opinião jamais vi uma eleição tão disputada quanto esta, não tanto entre os candidatos, mas sim por seus simpatizantes. Tantos debates, tantas alfinetadas e principalmente, tantas acusações. Cada militante traz na mente uma imensa lista de números dividida em dois grupos: um a favor de seus candidatos e outro contra seus adversários, é só alguém tocar em política e chove números e dados que não tem necessariamente a obrigação de serem verídicos.Nossa eleição "sul hemisferiana" mais se parece um tradicional embate entre democratas e republicanos nos EUA ou trabalhistas e conservadores na Inglaterra, com exceção, claro, da enorme quantidade de boatarias, mentiras e incontáveis denúncias de corrupção que os partidos e militantes brasileiros fazem uso. Sim leitor, temos eleições de Primeiro Mundo, temos bipartidarismo, também temos cidadãos e eleitores engajados politicamente, só que tudo isso não passa de uma realidade virtual, assim como também é virtual a consciência política dos milhares de militantes "pitbulls" que vomitam números, argumentos, superioridade e arrogância pelas redes sociais, que defendem o "debate de ideias" mas que lançam mão de falácias e sofismas para se defenderem, que são pela ética mas perdoam os desvios que seus políticos fazem dela, que defendem os pobres mesmo se incluindo na minoria dos mais privilegiados e ainda daqueles que terminam qualquer discurso com a palavra "social", como se essa fosse uma palavra mágica que mudaria toda a cruel realidade (social) que os cercam.São tantos números, argumentos, qualidades e benefícios elencados e levantados dos dois lados e eu (e acredito que você também) não vejo nada. Não consigo ver a qualidade na educação, o crescimento econômico, o desenvolvimento social, a distribuição de renda, a segurança pública, a qualidade de vida, o controle da inflação, a saúde pública de qualidade, as obras de infraestrutura, o crescimento do comércio exterior, enfim, nada que as propagandas e os militantes dos dois partidos querem me fazer acreditar. Só consigo ver um povo roubado, tanto dos seus bens como da sua consciência, só vejo uma gente pobre de riquezas e de espírito que se engalfinham para protegerem aqueles que lhes roubaram e trouxeram tamanha desgraça sobre suas vidas. Tantas misérias espalhadas por esse país e tudo o que vejo as vítimas fazerem é defenderem os que põem em liberdade o bandido que os assaltaram em alguma esquina ou o assassino que matou um ente ou amigo querido, defendem aqueles que roubam o dinheiro da educação que transformaria a realidade de seus filhos, dos hospitais que poderiam salvar suas vidas e aplaudem os que abraçam os seus exploradores.Se passaram quinhentos anos e ainda estão trocando ouro por espelhos, espelhos embaçados que não mostram e não deixam ver a realidade e perceber como são pobres, como estão sendo enganados e roubados. Passaram três longos meses de embate político e consideraram seus amigos como inimigos, quiseram calar seus companheiros de miséria porque acreditavam que eles eram a voz dos opressores, fizeram longos discursos e elaboradíssimos argumentos para desacreditar a opinião de quem carrega o mesmo jugo de atraso e subserviência. Não foram mais do que índios perseguindo índios, cada um querendo dar maior quantidade de ouro ao dominador e crendo estar fazendo o melhor negócio do mundo. Em três meses ninguém questionou os que lutavam pelo poder, ninguém lhes perguntou o que pensavam em fazer para engrandecer e transformar de fato nosso país. Os brasileiros perderam mais uma eleição, mesmo que o candidato em quem votarem vencer amanhã, ainda assim sairão derrotados desse pleito, talvez alguém consiga manter ou conquistar seu cargo, seu benefício social ou ainda sua vantagem econômica, mas ainda assim será um perdedor, esses privilégios não mudarão sua realidade, estará apenas tomando um copo de água gelada no meio de um enorme deserto, cedo ou tarde a calamidade em sua volta o atingirá, atingirá seu filho ou neto, atingirá seu futuro. Mesmo que os "Silvérios dos Reis" tenham momentaneamente seus impostos perdoados, ainda assim não passarão de cativos debaixo dos grilhões de um sistema e de reis opressores. Tanta gente virtualmente distantes e tão unidas em suas realidades, pessoas que se dividem em militâncias e ideologias virtualmente antagônicas, que protegem e defendem seus opressores mas que na realidade são vítimas dos mesmos males e compartilham as mesmas misérias. Infelizmente seremos roubados e enganados por mais quatro longos anos, veremos dia após dia nosso ouro ser embarcado e aqueles que ousarem questionar serão calados e ridicularizados pelos companheiros de sofrimento, justificando que aquele é o ouro que se paga pelo desenvolvimento social ou econômico, serão taxados de inimigos do progresso, serão os que verão o rei pelado mas que serão calados pelos que veem as incríveis roupas virtuais do rei.

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